Mercado imobiliário mantém forte valorização apesar da quebra nas transações
Junho 2026
Os preços das casas continuam a subir em Portugal, mesmo com a redução do número de vendas. Os dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), em junho de 2026, confirmam que o mercado residencial atravessa uma fase de forte valorização, sustentada pela escassez de oferta e pela elevada procura.
O Índice de Preços da Habitação (IPHab) registou um crescimento homólogo de 17,8% no primeiro trimestre de 2026, confirmando que os imóveis continuam a valorizar a um ritmo muito superior ao da inflação e da evolução dos rendimentos das famílias. Apesar desta subida expressiva, trata-se da primeira desaceleração da taxa de crescimento desde meados de 2024, o que poderá indicar uma gradual estabilização do mercado.
Em sentido inverso, o número de transações de habitação registou uma quebra de 8,7% face ao mesmo período do ano anterior, totalizando cerca de 37.700 habitações transacionadas. Ainda assim, o valor financeiro global das operações aumentou cerca de 3,2%, refletindo o efeito da contínua valorização dos imóveis.
Menos vendas, mas imóveis mais valorizados
Os dados demonstram que o mercado imobiliário português continua resiliente. Embora a subida dos preços e as condições de financiamento mais exigentes tenham reduzido o número de compradores, a escassez de oferta continua a exercer uma forte pressão sobre os valores de venda.
Outro dado relevante é que a valorização foi mais intensa nas habitações existentes, que registaram um aumento de 19,7%, enquanto as habitações novas cresceram 12,6%. Esta diferença evidencia a dificuldade em aumentar a oferta de construção nova capaz de responder à procura existente.
O que significam estes números?
Para compradores, o cenário continua desafiante. A oferta disponível permanece limitada, os preços mantêm-se elevados e a aquisição de habitação exige um esforço financeiro crescente.
Para vendedores e investidores, o mercado continua favorável, sobretudo quando os imóveis apresentam boa localização, qualidade construtiva e preços ajustados ao mercado.
Por sua vez, os profissionais do setor enfrentam um mercado mais seletivo, onde o aconselhamento estratégico, a correta avaliação dos imóveis e uma mediação especializada assumem um papel cada vez mais determinante.
Perspetiva
Apesar do abrandamento nas transações, os indicadores divulgados pelo INE mostram que o mercado residencial português continua a revelar uma capacidade notável de valorização. Enquanto persistir o desequilíbrio entre a oferta disponível e a procura existente, dificilmente se antecipa uma correção significativa dos preços, sendo expectável uma evolução mais moderada, mas ainda positiva, ao longo de 2026.
Fontes
- Instituto Nacional de Estatística (INE) – Índice de Preços da Habitação – 1.º Trimestre de 2026.
- Vida Imobiliária – Preços das casas aumentam 17,8%, mas vendas caem (23 de junho de 2026).
- ECO – Preços da habitação disparam 17,8% no início do ano (23 de junho de 2026).